Do Google Maps ao Chão do Museu: A saga do rio de 12 metros na UFPR
Quando recebi o convite para criar uma peça para a reinauguração do Museu de Ciências Naturais da UFPR, na exposição "Caminhos das Águas", eu sabia que o desafio seria proporcional à importância do local. A missão? Criar um rio de lã de 12 metros de comprimento que fluísse pelo espaço.
Hoje, quero contar para vocês como essa obra saiu da imaginação e foi parar no chão do museu.

O Nascimento do Rio: Giz, Papel e Conversa
Um projeto dessa escala não nasce pronto no computador. Ele precisa "sentir" o espaço. Fiz diversas visitas técnicas ao museu, onde conversei muito com as professoras Rosana e Esther, além dos alunos da UFPR. O objetivo era claro: precisávamos de algo que fosse natural, orgânico, mas ao mesmo tempo lúdico, convidando o visitante a seguir aquele curso d'água.
O processo começou de forma analógica e colaborativa: desenhamos com giz diretamente no chão do museu. Testamos curvas, imaginamos o fluxo dos visitantes e definimos o trajeto. Uma vez decidido, cobri o trajeto de giz com papel kraft e transferi o desenho com canetão permanente. Foi esse "mapa" gigante que levei para o ateliê.

A Engenharia do Tufting
Aqui entrou o desafio logístico. Como fazer um rio sinuoso de 12 metros caber no quadro de tufting? A solução foi fatiar o projeto.
O tapete foi construído em 11 partes individuais. Essa divisão foi essencial não só para caber no bastidor, mas para conseguirmos executar as curvas acentuadas que um rio real possui.

Inspiração vinda do Céu
Tive liberdade total para criar o design, e minha inspiração veio do alto. Usei imagens de satélite do Google Maps, focando especificamente no Rio Iguaçu.
Analisei as cores da água, a formação das ilhas, os afluentes e a vegetação das margens. Tentei traduzir essa geografia vista de cima para a textura do tufting.

30 Dias de Imersão
Não vou mentir: houve momentos de medo. Em projetos longos, sempre bate aquela dúvida: "Será que vamos conseguir?".
Foram 30 dias de trabalho ininterrupto. Utilizamos mais de 100 novelos de lã. Foi um processo lento, gradual e de muita paciência. Mas, ver as 11 partes se unindo e formando um corpo único de água têxtil no chão do museu fez cada segundo valer a pena.
Veja em detalhes como ficou o tapete de 12 metros
O Museu de Ciências Naturais e a exposição "Caminhos das Águas" estão sublimes. É um orgulho ver a UFPR entregando um espaço tão rico para Curitiba.
Se você quer ver de perto como esse "Rio Iguaçu de lã" ficou, leve seus filhos e visite o museu no setor de Biológicas da UFPR. É uma experiência imperdível!
Serviço:
- 📍 Onde: Museu de Ciências Naturais da UFPR (Setor de Ciências Biológicas)
- 🌊 Exposição: Caminhos das Águas
- 🔗 Instagram: Confira o post oficial
